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Saiba se amamentar com prótese de silicone é viável

Saiba se amamentar com prótese de silicone é viável

Por: - Cirurgião Plástico - CRM/SC 8130 RQE 2674
Publicado em 07/04/2017 - Atualizado 08/02/2019


Amamentar com prótese de silicone: é possível? Diversas são as opiniões a respeito desse assunto, e não é difícil encontrar informação sobre isso na internet, ainda que as avaliações médicas variem. As próteses de silicone, geralmente, não causam problemas ou impedem a amamentação, porque não alteram a estrutura da mama, apenas seu tamanho e formato. Mas é preciso ter cuidado. Neste artigo, analiso alguns fatores-chave relacionados à mamoplastia de aumento e como eles podem interferir no aleitamento.

Cuidados que se deve ter ao amamentar com prótese de silicone

O implante de silicone é feito de um gel coesivo revestido por uma cápsula de silicone, o que o impede de vazar ou escorrer. Quando colocado por um profissional habilitado e experiente, não existem grandes riscos de a mulher não poder amamentar com prótese de silicone (a não ser que a genética ou outros fatores interfiram).

No entanto, o local por onde o implante de silicone tenha sido colocado pode ser fator determinante para dificultar o processo. Incisões na região submamária ou nas axilas, geralmente, não causam problemas na amamentação. Contudo, cortes ao redor da aréola podem ocasionar rupturas e danos aos nervos e ao sistema de ductos (os canais que levam o leite das glândulas até o mamilo).

Isso pode prejudicar a lactação porque os nervos enviam comandos ao cérebro para liberação de prolactina e ocitocina, dois hormônios relacionados à produção do leite. A cicatriz atravessa a glândula mamária, alterando a continuidade dos ductos, o que não afeta exatamente a produção de leite, apenas seu caminho até a boca do bebê.

A posição da prótese, assim como o perfil e o formato escolhidos, não interferem nos ductos mamários e, por isso, não causam dificuldade no aleitamento materno.

Um dos riscos decorrentes da mamoplastia de aumento é de que os mamilos tenham alteração de sensibilidade (para mais ou para menos). Além disso, uma vez que a produção de leite comece, é possível que as mamas fiquem mais cheias e que a mulher tenha febre e sinta arrepios intensos.

Nos casos em que a cirurgia for recomendada devido a uma hipoplasia (desenvolvimento defeituoso ou incompleto das mamas), existe a possibilidade de que a produção de leite seja menor. Esse fator deve estar claro para o ginecologista, para que ele possa orientá-la da melhor forma possível.

Algo que precisa ser avaliado com cuidado é quando a mamoplastia de aumento for associada ao lifting de mama (para retirar o excesso de pele) ou quando for realizada uma mamoplastia redutora. Esses procedimentos alteram a estrutura e a anatomia da mama. Quanto maior a redução mamária ou a retirada de pele, maiores as chances de a amamentação ser prejudicada.

O ideal é que as mulheres que desejem colocar implantes de silicone nas mamas e ainda não tenham filhos, mas pretendam tê-los no futuro (e façam questão de amamentá-los), conversem com o cirurgião plástico a respeito. Talvez, seja possível esperar para realizar a cirurgia só depois de terminado o período de amamentação do último filho. Ou, não sendo esse o caso, a técnica cirúrgica pode ser modificada para que a mulher possa amamentar com prótese de silicone.

Caso a paciente deseje realizar a cirurgia depois da gestação, é importante aguardar cerca de seis meses depois do término da amamentação. Esse é o tempo que o organismo precisa para estabilizar os níveis dos hormônios da gravidez e da lactação.

Para mulheres que já realizaram a mamoplastia de aumento e, agora, estão grávidas, a conversa deve acontecer com o ginecologista e com o pediatra, que vai monitorar a amamentação e o ganho de peso do bebê, para certificar-se de que a criança esteja sendo bem alimentada.

Outro cuidado é em relação ao período entre a colocação do implante e a amamentação, devido a possíveis complicações decorrentes da cirurgia, como infecção, acúmulo de sangue e de líquido. Elas podem ocorrer, comumente, até seis meses após o procedimento. A contratura capsular (quando o organismo forma uma espécie de casca em volta da prótese) é uma complicação que pode demorar mais que seis meses para aparecer. Pode ser incômodo durante a amamentação, mas porque causa dor e não porque influencia na produção de leite.

Outras dúvidas

Após a gravidez, é necessário trocar o implante? Durante a gestação e o período de aleitamento, é comum que as mamas fiquem maiores. Depois que tudo termina, elas murcham e, dependendo do grau, pode haver excesso de pele. Isso é algo que pode  acometer mulheres com e sem silicone. A prótese, no entanto, continua intacta, o que  muda é o formato da mama. Em alguns casos, pode ser necessário retirar a sobra de pele (e isso pode ser feito sem trocar a prótese).

Qual é a melhor posição para amamentar para quem já tem silicone? A posição adequada é aquela em que a mãe se sentir mais confortável. A única recomendação é que a mulher deve assegurar-se de que as aréolas estão macias para o bebê pegar.

Dr. Evandro Parente
Cirurgião Plástico
CRM/SC 8130 | RQE 2674

Material escrito por:
Cirurgião Plástico - CRM/SC 8130 RQE 2674

Formado em medicina pela UFSC e mestre em Cirurgia Plástica pela USP, o Dr. Evandro Parente dedica sua carreira para aliar o relacionamento de confiança com seus pacientes e a qualidade nos resultados. É membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, da qual foi presidente na regional Santa Catarina.